Numa manhã dessas durante o carnaval de 2011, um assunto intrigante (para mim, é lógico) cutucou insistentemente minha nuca até que eu parasse por um instante e olhasse em seus olhos como que dizendo: “Tá, o que é que foi dessa vez?“…
“Como você aprende?“
Tentando me desviar desse assunto, rebati com outras questões tais como:
- O que é aprender?
- Preciso aprender a aprender?
- Pra que aprender?
- Aprender é um ato coletivo ou individual?
- Aprender depende do ato de “desaprender” algumas “coisas“?
“Eita nóis”, diriam alguns de meus conhecidos…Como esse Bagrão é liso, “sô”! (detalhe, Bagrão é o autor desse e de outros post´s do blog)
Antes de compartilhar uma pequena história que servirá como pano de fundo para as próximas considerações em relação ao tema do post, quero dividir com você(s) uma definição de APRENDER que um tal de Fredy Kofman propôs na sua série MetaManagement:
“Aprender é incorporar novas habilidades que possibilitam alcançar objetivos que até o momento estavam fora de alcance.”
Seguindo ainda o autor da “pérola” (?) acima, “…o núcleo de todo processo de aprendizado é a transformação de ações inefetivas em ações efetivas“.
Opa! Convido-o(os), nesse exato momento, para uma pequena pausa na linha de montagem deste texto. Aproveita para dar uma esticada nas canelas, verificar a sua caixa de e-mail, ruminar (figurativamente, é claro, pois, na verdade, não acho que os animais que efetivamente ruminam investiriam seu tempo lendo essa baboseira) aquilo que foi apresentado até aqui, sei lá, ir até o banheiro, ler um livro…
…(use o tempo que quiser e achar mais adequado)
OK, vamos lá! Que venha a história!
“O MKV Obeso no Mundo FAT32“.
Não se assuste! Sim, esse é o título que acho mais adequado para a história à qual me referi algumas linhas atrás.
Era uma vez…
Um Bagrão muito ensaboado tentava desesperadamente se livrar da tarefa cujo objetivo seria alcançado caso conseguisse “salvar” (pode se traduzir, também, como guardar, armazenar, gravar) o filme “The Next Three Days” em um pendrive.
Durante “os próximos três dias“, o jovem aventureiro se corroía com a seguinte questão: Como um arquivo de 4,5 “Gigas” não cabe num pendrive com espaço livre de 8 “Gigas”? Para piorar a situação, o Windows (ou sei lá quem) berrava a cada tentativa frustrada:
Traduzindo: “Espaço INSUFICIENTE no drive destino, Continuar?”
No meio dessa situação conturbada, algumas tortuguitas que passavam por ali sugeriram ao bagre que consultasse o “oráculo” Google.
Quem de vocês já não perdeu a paciência com esse “oráculo”? Pô, ele fica ali debruçado numa bengala velha, mastigando de canto de boca um “matinho” meio estranho e repetindo:
“Faaaaaça as perguntas corretaaaas, oooolhe para dentro de si meeeeesmo”
Realmente acreditando que “encontrar as perguntas corretas” é um ponto decisivo no processo de aprendizagem, o nosso herói encontrou um dossiê que revelava uma briga antiga entre arquivos “obesos” e o mundo FAT32. E mais, não se restringindo ao arquivos MKV, essa luta limitava qualquer tipo de arquivo que excedesse o limite de “peso” imposto por dogmas daquela civilização.
Podemos interpretar que toda essa situação insatisfatória presente nada mais é do que uma história potencial de aprendizado cujo protagonista, o Bagrão Ensaboado, ainda não encontrou a maneira de chegar a um “final feliz” (ele existe?). Tomando emprestado o modelo “O Caminho do Herói” idealizado pelo antropólogo Joseph Campbell, nosso herói se encontrava preso, até esse momento, entre os pontos 3 e 4 do gráfico abaixo.
Retomando a história, após encontrar o famigerado dossiê, o Bagrão assumiu a realidade da situação e “deu de cara” com duas batalhas:
- A tentação da preguiça e da irresponsabilidade: Pra que mexer no que estava quieto? Afinal de contas, não sou eu quem deve resolver esse problema entre os “obesos” e a FAT32…
- Superado o “inimigo” interno, exercitar a prontidão para enfrentar desafios: Agora que consigo compreender o conflito, e me disponho a enfrentá-lo, existem técnicas diplomáticas através das quais consigamos “negociar” o impasse atual?
Empunhando outras questões, agora já amadurecidas, o Bagrão retomou o diálogo com o oráculo Google e, juntos, lutaram pela conquista de uma nova habilidade:
- Formatar o pendrive num outro padrão de armazenamento: (traduzindo) “Armado” com um novo software forjado na província OpenSource, o Bagrão destruiu todos os dogmas da FAT32 e implantou um novo padrão de diálogo: o NTFS.
Superada a crise, o arquivo MKV foi aceito nos domínios do pendrive e o nosso herói, em êxtase mais pelo processo do que pela conquista, se esqueceu de degustar o conteúdo do arquivo MKV. Ou seja, ainda não reservou um tempo para assistir ao filme “The Next Three Days“.
THE END
Se voltarmos ao título dessa nossa conversa, não será difícil perceber que meu propósito é estimular o leitor a se transformar, pouco a pouco, no pensador, no questionador, no herói que luta por caminhos rumo ao “Como eu aprendo?” ao invés de estacionar nos atalhos de qualquer conteúdo que se aprende por aqui e por ali.
Afinal, o saber útil é o “SABER COMO” (to know how), não o “SABER QUE” (to know that).
Desafiando-o(os) em relação à “Aprendendo a Aprender”, reproduzo as linhas abaixo:
“Somente um guerreiro é capaz de suportar o caminho do conhecimento. Um guerreiro não pode se queixar nem lamentar. Sua vida é um permanente desafio e os desafios não são bons nem maus. Os desafios são simplesmente desafios. A diferença básica entre um homem comum e um guerreiro é que o guerreiro toma tudo como um desafio, enquanto o homem comum toma tudo como uma benção ou como uma maldição.”
Don Juan, Xamã Tolteca

