Pipoca na Pressão

Tem gente que odeia rotina. Ou, dizendo de outra forma mais politicamente correta, tem gente que não sabe ou não quer lidar com a rotina. Para alguns especialistas em “previsão”, rotina é um dos sabores da loucura. Como assim?

Certa vez, li uma frase de um cara famoso que dizia: “Fazer as coisas do mesmo jeito, todo dia, e esperar resultados diferentes é evidência de insanidade mental, loucura“.

Se por um lado a rotina confere um “Q” de segurança e previsibilidade, de vez em quando “viro a página” e enxergo o outro lado da mesma: como é “sem graça” essa rotina!

É possível que a bateria que carrega sua paciência já esteja dando alertas: “tô esgotando, tô esgotando…o que há de relação entre rotina e pipoca na pressão?

Pipoca na pressão. Qual a novidade?
Na verdade, quem enfrenta a pressão é o milho.
A pipoca representa o efeito da pressão.

Hauhuahauhauhuhauhauhauhuahua.

Numa bela tarde, durante meu período sabático (quando as ideias mais piradas me ocorreram), fiquei com fome, mas fome de pipoca. Quem me conhece, também conhece meu apreço por uma bacia cheia de pipoca bem salgada e, de preferência, com bastante manteiga.

Tinha pipoca, tinha fogão, tinha sal, tinha manteiga, tinha colher e tinha a fome.
Tinha quase tudo, menos panela. “Tê tinha”, mas estavam todas gravadas com a lembrança das últimas refeições, ou seja, estavam todas sujas!

E a preguiça pra lavar uma panela? Me faria perder a fome…
Quando já estava pra desistir da pipocada, eis que vejo o bracinho de uma panela de pressão, daquelas bem “gordonas”.

“É tu mesmo! É tu mesmo!”, e já fui agarrando a coitada sem ao menos dar uma chance para questionamentos “fora de hora”.

Já que a fome era bem maior que as dúvidas (será que pode? será que dá certo? e se acontecer de novo aquela explosão quando minha mãe cozinhava feijão? devo tampar a panela ou só colocar um paninho para o óleo não espirrar?…), virei as costas para cada um dos “E SE?” e toquei fogo.

Depois do fogo apagado, enquanto me esbaldava na pipoca, surgiram as divagações:

  • “Caramba, deu tudo certo. E além de tudo, o tempo de preparo foi bem mais curto! Veja só! Milho de pipoca na panela de pressão é mais econômico!”
  • “E se eu fizesse no microondas? Não seria mais rápido e menos arriscado? Ah, o cheiro da pipoca de microondas é bem diferente daquele que sai da panela. Quem nunca reclamou do cheiro que fica após estourar pipoca no microondas?”
  • “Vou experimentar assar a pipoca no forno! E depois vou tentar fritar a pipoca na frigideira!”
  • “Agora, realmente, todas as panelas estão sujas…”

Você já parou pra pensar (tá, não precisa parar, mas pense!): Quando foi a última vez que você fez uma coisa pela primeira vez?

Não sugiro que você repita a experiência da “pipoca na pressão” por que, aliás, nem sei se o processo é realmente seguro.

Recomendo, SIM, que questione a sua rotina e, aproveitando alguma panela suja, siga por um caminho ainda desconhecido.

Antes de me despedir, vou confessar que pesquisei, hoje, sobre “pipoca na pressão”.

E vejam só o que descobri:

  1. Sim, alguém já fez isso antes! Veja o vídeo.
  2. Receita num site da Globo.com
    1. Destaque da dona da receita: use a panela de pressão SEM a borrachinha da tampa (será que é mais seguro?)
  3. Uma aula, acreditem, no site do MEC com o tema: “Por que as pipocas estouram: diferença de pressão interna e externa”
  4. Não poderia faltar: o vídeo com a musiquinha mundialmente conhecida “Quero ver pipoca pulaaaaaar, pulaaaaaar…”
  5. Para aqueles que insistem em criticar meus hábitos nutricionais em relação à pipoca, sugiro a leitura de um estudo segundo o qual “Pipoca pode ajudar a evitar câncer”.

Quem diria!

Esta entrada foi publicada em Histórias do Bagrão e marcada com a tag , , . Adicione o link permanente aos seus favoritos.