Dentre muitos outros, eu tenho um defeito.
Tá legal. Não sei se, na verdade, é um defeito.
Um conhecido meu logo diria: “DEFINA defeito…“.
Esse comportamento, defeito ou não, aparece durante as situações mais corriqueiras.
Você reparou a foto no início do post? É o que restou de uma maçã, coitada…
Tenho o costume de deixar as coisas “terminadas” e outras “por terminar” em volta da minha mesa de trabalho. Entre um pacote de bolacha e um artigo rabiscado, lá estava o resto da maçã.
Só para esclarecer, deixar as “intermináveis” coisas na mesa não é o defeito sobre o qual quero comentar.
Enquanto me dirigia para a cozinha, encontrei a Manu (minha filha de 1 ano e 10 meses) no colo da avó (minha mãe de…deixa pra lá). Só pra “zuar“, fiz aquela cara sonsa de quem vai dar um belo doce para uma criança, e fui aproximando de sua boquinha linda a carcaça da maçã.
Para meu espanto, a Manu avançou sem dó e sem frescura pra cima do alimento (hã?)!
“Que isso, Manu?“, gritei. Enquanto minha mãe ria, ficamos eu e Manu sem entender. Eu, por não acreditar que ela acreditara ser uma fonte saudável de alimento. Ela, por não acreditar que eu oferecera e depois negara o acesso à fruta quase mofada.
Até aqui, contei apenas a sequência de fatos que antecedeu o defeito. Lembra do defeito?
Então…o defeito é que insisto em refletir sobre quase tudo, sobre quase nada, sobretudo.
A REFLEXÃO
Ao jogar no lixo os “restos mortais” da maçã, eis que surge aquela “coceirinha” da reflexão:
- Se criança aceita tudo, qual é meu papel como pai, como cuidador, como responsável por essa vida em formação?
- Se dou a ela uma maçã podre, ela aceita, teremos consequências.
- Se berro, se xingo, se vomito resmungos o dia todo, ela aceita, teremos consequências.
- Se o diálogo se alterna apenas entre o “não pode”, o “não deve”, o “sai pra lá”, ela aceita, teremos consequências.
- Se o ensino fica nas mãos da dona TV, ela aceita, teremos consequências.
- …
- …
Preciso falar mais alguma coisa? Ou ainda tá pensando no que restou da maçã?
Já pensou nas maçãs podres que “anda” oferecendo?







